Hoje se completam dois anos do assassinato do menino Rhuan, vítima da ideologia de gênero.
Até hoje, qualquer outro assunto se torna menor e irrelevante diante do martírio dessa criança. Os detalhes do caso pareceriam inverossímeis mesmo em um filme de terror: o desaparecimento do menino; a decisão de transformá-lo em menina; o pênis da criança cortado pelas mulheres (uma delas, a própria mãe do menino!); o ano inteiro em que ele viveu com a ferida; a morte e o esquartejamento; a imagem do casal assassino; a dor do avô.
Quando foi morto, Rhuan tinha 9 anos, a idade do meu filho. Nos dias seguintes ao assassinato, eu olhava para o Pedro e via ao seu lado a imagem do menino sofredor. Pensava em todos os bons momentos que vivi com meu filho ao longo do último ano, sabendo que ao mesmo tempo, em algum lugar, Rhuan sofria em silêncio. E quantos Rhuans sofrem agora?
Muito se falou no casal Nardoni, muito se falou em Suzane von Richthoffen, mas estranhamente pouco se fala em Rosana e Kacyla, as assassinas de Rhuan. Uma das poucas pessoas públicas que demonstraram preocupação com o caso foi a ministra Damares Alves. Mas onde está a revolta dos formadores de opinião? Onde estão as entidades em defesa dos direitos humanos? Onde estão os nossos ativistas judiciais? Onde estão as análises de especialistas, os discursos indignados, as camisetas com o slogan RHUAN VIVE? Que vergonha!
No dia em que o caso Rhuan veio à tona, eu terminava de ler o romance “Silêncio”, do escritor japonês Shusaku Endo. O livro fala sobre as torturas impingidas aos católicos japoneses pelos xóguns (senhores feudais), no século XVII. Em certa passagem, que muito me marcou, um padre está preso na masmorra e escuta o que parece ser o ronco de um carcereiro. Na verdade, não era um ronco: eram os gemidos dos cristãos supliciados.
Você consegue ouvir este som em meio à balbúrdia de nosso país? É a voz do menino Rhuan, que clama por nossa compaixão. Uma voz que os porta-vozes da ideologia de gênero não querem deixar ninguém ouvir. Rhuan atrapalha os planos dos ideólogos militantes, assim como “atrapalhava o relacionamento” de Rosana e Kacyla.
E mesmo assim, para as classes falantes brasileiras, a ideologia de gênero continua sendo uma pauta essencial, que a todo custo deve ser impingida às nossas crianças no ambiente escolar. Se não reagirmos fortemente contra essa imposição, pode cheggr para o dia em que relembrar o martírio de Rhuan será um crime contra a “igualdade de gênero” ― e estaremos condenados ao silêncio.
Rhuan merece ter a sua vida contada em livro, em filme, em canção. E isso por um motivo muito simples: as pessoas não se comovem e não agem por causa de notícias de jornal ou argumentos racionais. Qualquer ser humano normal racionalmente condenará o crime do qual Rhuan foi vítima. Mas, para que o martírio do menino não se repita, é preciso mais do que isso: é preciso uma mudança de alma. E só as grandes criações do espírito são capazes de provocar essa mudança. Precisamos ter a coragem de imaginar o mal para vencê-lo.
Rhuan não foi vítima de um simples crime; ele morreu por conta de uma concepção ideológica doentia. Pelas mãos das cruéis assassinas, matou-o um sistema de mentiras, um projeto de mundo chamado ideologia de gênero. Enquanto as pessoas não forem capazes de entender o mal que se esconde nesse projeto de mundo — muito bem definido por um teólogo como “colonização da espécie humana” —, nossas crianças continuarão vulneráveis. E poderão — Deus não permita! — sofrer um destino semelhante.
Pouco se fala de Rhuan porque a sua morte não é interessante para avançar a agenda dos autonomeados transformadores do mundo. Rhuan não é um bom assunto para os militantes, para os lacradores, para os justiceiros sociais. Rhuan atrapalha os planos da esquerda e dos globalistas.
Em 1959, o escritor americano Truman Capote interessou-se por um caso chocante: o assassinato de uma família de fazendeiros no Kansas. Penso em fazer o mesmo que Capote fez: com a caneta e o caderno nas mãos, tentar descrever a face do mal em um livro. Capote escreveu “A Sangue Frio”. Não tenho o talento nem a vocação do grande escritor, mas gostaria de, um dia, publicar um livro sobre Rhuan. E o último capítulo desse livro seria feliz, pois mostraria o encontro de Rhuan com a sua verdadeira Mãe no Reino de Deus.

BSM

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