Ele já não ousava fazer mais nada porque tinha medo de que fosse proibido.

Querida, Anne Frank,

Quase 77 anos se passaram desde que você fez sua última “postagem” no diário; a quem você, carinhosamente, o apelidou de Kitty, em 1º de agosto de 1944, e só agora tive a oportunidade de ler o que escreveu durante os dois anos em que você e seus sete irmãos judeus se refugiaram daqueles malditos nazistas, na Holanda. Resolvi abrir o seu diário após assistir ao filme que fizeram baseado na sua história. As telas, como sempre, não conseguem captar a riqueza da escrita. Enquanto o filme narra o sofrimento da sua família após ser capturada pelos alemães, seu diário me faz mergulhar nos anseios de uma adolescente vivendo em condições sub-humanas com mais sete pessoas num esconderijo que vocês chamavam de Anexo.

Poxa, imagino como foi difícil ter que comer couve e alface podre! Fiquei imaginando meus filhos ganhando pote de iogurte no dia do aniversário. O que era uma iguaria para vocês naquele abrigo só não se perde em minha geladeira porque meu marido toma o iogurte mesmo vencido. Estou insistindo com eles para lerem o seu diário para valorizarem a vida que têm, aprenderem que a liberdade é tomada por fatias e está sempre a uma geração de ser perdida de vez.

Fiquei impressionada logo nas primeiras páginas que você escreveu, em junho de 1942, falando sobre as restrições que vocês, judeus, sofreram em suas liberdades por meio de decretos antissemitas:

“judeus deveriam usar estrela amarela; estavam proibidos de andar nos bondes e de carros mesmo que fossem deles; os judeus eram proibidos de sair às ruas entre as oito da noite e seis da manhã; não podiam frequentar teatros, cinemas ou ter qualquer outra forma de diversão; os judeus eram proibidos de usar piscinas, quadras de tênis, campos de hóquei ou qualquer outro quadra esportiva; os judeus não poderiam ficar em seus jardins ou nos dos seus amigos depois das oito da noite; eram impedidos de visitar casas de cristãos e deveriam frequentar somente escolas judias”.

Como bem observou seu amigo Jacque, ele já não ousava fazer mais nada porque tinha medo de que fosse proibido.

Tantos anos se passaram e a história parece que está se repetindo: impor o medo, querida Anne, é um meio que o inimigo encontrou para roubar nossa liberdade de um ano para cá. Você acredita que nem mesmo ar puro podemos mais respirar? Desde que surgiu um vírus “Made in China” que se alastrou pelo mundo, o povo está sendo obrigado a andar de máscara, mesmo estando saudável, inclusive nas ruas. Não se pode mais comprar nem vender sem máscara e aferir a temperatura. Isso não te lembra exatamente o pesadelo que a sua geração passou e do qual você se tornou uma das mais importantes testemunhas? Pois é, mas, a maioria das pessoas não enxerga que seja importante lutar pela liberdade. Com o passar dos anos, os ocidentais foram se esquecendo de suas origens judaico-cristãs. A tecnologia trouxe alguns confortos para o homem moderno que, aliado a uma educação laica e anticristã, o deixou extremamente materialista. Muitos não creem mais no transcendente, e os que aquiescem, possuem uma fé oca que não é capaz de suportar a ideia da morte.

Eu não sei se é uma desatenção da minha parte, mas a “meia dúzia” de filmes que assisti sobre o nazismo se concentra em relatar a crueldade praticada pelos alemães nos campos de concentração. Pouco se explora sobre como os alemães conseguiram chegar ao ponto de capturar famílias inteiras e levá-las para a câmara de gás. Talvez a minha observação neste ponto específico de restrição de liberdades seja em razão do momento que nós, ocidentais, estamos vivendo no mundo hoje. Nossa liberdade está cada dia mais restrita e aqueles que hoje nos assaltam garantem que é para nossa própria segurança.

E o pior é que muita gente acredita e obedece às “normas de segurança” para conter a disseminação do vírus; e quanto mais as normas se mostram ineficazes e estúpidas, mais os cidadãos as obedecem e ainda querem exigir que os outros façam o mesmo. O povo está demorando a se dar conta de que a história se repete e de que os homens maus, que foram responsáveis por tragédias que você experimentou na sua vida tão curta, deixaram descendentes que hoje contam com o poder da tecnologia e de uma “ciência” desenvolvias para justificar e alimentar suas atitudes demoníacas.

Estamos vivendo um tempo semelhante ao que sua nação experimentou, um sabor amargo, com a diferença de que a maior parte das pessoas não percebe que estamos numa guerra.  O mal parece ter tomado conta do mundo: mesmos desmascarados, os homens maus continuam a representar papéis e dirigir a sociedade rumo ao abismo. Ora o mundo parece um hospício, ora parece um grande teatro.  E assim vamos vencendo um dia de cada vez, esperando que do Céus venha a solução, ou melhor, a salvação.

Ah, querida Anne, gostaria de ter mais espaço para fazer observações sobre os relatos emocionantes que você registrou no seu diário, mas se eu me delongar não encontrarei os leitores que vislumbro persuadir a ler a sua obra. Em algum momento do seu diário, que foi transformado em um documentário sobre o nazismo, você disse queria continuar a alegrar as pessoas depois da sua morte. Apesar de sua história tão trágica, creio que o seu desejo se realizou. Aprender a viver e saborear a vida em tempos de guerra é uma grande lição que você deixou mesmo estando na prisão.

(Anne Frank nasceu em 12 de junho de 1929 e morreu aprisionada no campo de concentração Bergen-Belsen três meses antes de completar 16 anos. Das 7 pessoas que ficaram escondidas junto com ela no Anexo, apenas seu pai sobreviveu).

Patrícia Castro é esposa, mãe, e jornalista.

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