Lira não vê circunstância para impeachment de Bolsonaro: ‘CPI não trará efeito algum’

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), concedeu entrevista ao jornal O Globo e afirmou que não houve atraso na compra de vacinas da Pfizer.
Segundo ele, ainda que o governo Bolsonaro tivesse adquirido os imunizantes antes, “não teria resolvido o problema da pandemia”.
Lira lamentou as mais de 500 mil mortes por Covid-19 no Brasil, mas assegurou que o difícil cenário que o país atravessa não justifica a instauração de um processo de impeachment contra o presidente da República.
Para que os pedidos de impeachment sejam materializados, é necessário que exista uma circunstância política, diz o parlamentar.
Ao ser questionado sobre o andamento da Comissão, ele foi incisivo:

“Neste momento, a CPI é um erro. A guerra está no meio. Como é que você vai apurar crime de guerra no meio da guerra? Como vai dizer qual é o certo? Até dois meses atrás, o Chile era a nossa referência. Como está hoje? Por que está desse jeito se já vacinou 60%, 70%? No combate à pandemia, não tem receita de bolo pronta. Você não sabe qual variante (predomina), se fica ou sai de lockdown. A CPI polarizou politicamente e não vai trazer efeito algum, a não ser que pegue alguma coisa.”
Lira destacou, inclusive, que acompanhou as conversas com a Pfizer em fevereiro. Na época, não existia autorização da Anvisa, afirmou. Ainda segundo ele, apesar de a farmacêutica ter uma quantidade de doses considerável, não resolveria o problema da pandemia.
O parlamentar fez questão de frisar que todas as vidas importam, mas que existe, no entendimento dele, uma jogada política para responsabilizar o presidente da República.
“Não é por aí. A minha função no impeachment é de neutralidade. Não sou eu que faço o impeachment. Você quer dizer que o presidente Bolsonaro não tem voto na Câmara para segurar um pedido de impeachment? Que ele não tem base de apoio popular para se contrapor a um pedido de impeachment? Então, o que é que estão querendo? Que eu desorganize o país, que eu comece uma conflagração de 122 votos que querem contra 347 que não querem? Vocês querem testar? O que a população quer é testar? Acha que é o caminho? Vamos testar. O que eu estou dizendo é que o impeachment é feito com circunstâncias, com uma política fiscal desorganizada, uma política econômica troncha. O impeachment é político”, explicou.
Lira prosseguiu na mesma linha de raciocínio, citando até mesmo a baixa popularidade do ex-presidente Michel Temer (MDB), e também apontando o escândalo do mensalão durante o governo Lula (PT). Na sequência, ele relembrou a série de pressões sofrida pelo antecessor, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que mesmo sendo de oposição, e com diversos grupos insistindo no impeachment, ele não deu prosseguimento ao processo por ‘falta de circunstâncias’.
“[…] A questão é sobre se tem (circunstâncias). Tem? Ou é uma parte que está pedindo? Vai resolver o quê? É o (vice-presidente Hamilton) Mourão que vai resolver? O que é que vamos fazer com o impeachment? Impeachment tem várias circunstâncias, e venho dizendo isso muito claramente. O (ex-presidente Michel) Temer tinha apenas 3% de aprovação popular, com o Janot (Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República) todo o dia disparando uma flecha. E passou por dois pedidos negados na Câmara. Lula teve o mensalão e não teve pedido de impeachment, com um rebanho de gente pedindo. Fernando Henrique teve. Rodrigo Maia, claramente de oposição a Bolsonaro, teve 67 pedidos de impeachment na gaveta. Pautou um? Por quê?”, disparou.
Sem dar palanque ao caos, Lira entende que é preciso focar no momento atual, e pensar ainda mais nas vidas que podem ser salvas. Além disso, defende que é preciso trabalhar para que o país saia da crise sanitária, política e econômica.
Em outro momento, o presidente da Câmara garantiu que a reforma administrativa deverá ser votada neste ano, e que o texto final não vai afetar a vida dos atuais servidores públicos.
“[Meu compromisso é] tocando as reformas, a administrativa e a tributária. Fizemos a autonomia do Banco Central. Compromisso de votar as privatizações. Quando me candidatei, fui a seis frentes, das mulheres, ruralistas, anticorrupção. E hoje essas matérias estão vindo”, completou

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